Lia guardava seus tesouros em uma caixa azul: uma pedra lisa, uma pena que encontrara no caminho e uma semente tão pequena que quase desaparecia na palma da mão.
— Será que uma coisa assim consegue virar uma flor? — perguntou à vovó.
As duas encheram um vasinho de terra. Lia fez um buraquinho com o dedo, deitou a semente e a cobriu com cuidado. Depois levou o vaso para perto da janela.
Na manhã seguinte, só havia terra. No outro dia, também. Lia ficou com vontade de abrir o vasinho para conferir se alguma coisa estava acontecendo lá embaixo.
— Algumas coisas crescem antes de a gente conseguir ver — disse a vovó. — Vamos continuar cuidando.
Lia deu um pouquinho de água à terra e foi brincar. Quando o irmão pequeno derrubou sua torre de blocos, ela sentiu a impaciência subir, quentinha, até as bochechas. Já ia reclamar. Então olhou para o vasinho.
Respirou e colocou um bloco no chão.
— Vamos fazer outra juntos?
Naquela noite, Lia agradeceu a Deus pelo dia, pela vovó e até pela semente que ainda não tinha aparecido.
Algumas manhãs depois, uma pontinha verde abriu caminho na terra. Lia chamou todo mundo, como se uma árvore inteira tivesse nascido na janela.
O brotinho ainda era pequeno. Mas, enquanto esperava por ele, Lia também tinha crescido um pouquinho por dentro.
